Em mar de palavras, barco de
poesia.
- Sem água, não se pode chorar.
Somos almas em cativeiro.
- Sem chance, não se pode sonhar.
E se a vida não dissesse: "deite,
role e finja de morto", eu seria
apenas mais um selvagem, livre,
porém inconstante.
- Sem fôlego, não se pode respirar.
Agradeço pela
vida, grande domadora, pela sorte,
aludida, que nem a morte pode
apagar.
- Sem gana, não se pode ganhar.
Toda dor e todo amor provêm do mesmo
ponto de partida.
- Sem fogo, não se pode moldar.
Toda felicidade e toda tristeza adornam juntas o
semblante de cada um de nós.
- Sem fim, não se pode acabar.
Minha alma secou, isto é, como o tinteiro que costumava ser.
Voei ao enxugar, então, minha pena ressequida.
- Mal sabia, escrevia outra linha.
Rodrigo Aleixo
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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
sexta-feira, 5 de junho de 2015
Garranchos
Aqui é tudo outro
Outro espaço, outra dança, outra música, outro calor
Aqui o próximo é distante e o distante também
Só se é próximo quando se entende, quando se extende
O mesmo é só o que é seu, e o que já não se divide
E se divide é por dois, por três, e por tantos outros
Tanto que nem parece um só
O outro nunca se confina, só se confia
E confia só quando se quer bem
Se há um que vai, há outro que vem
Outro dia, outra hora, outro porém
E nem sei quantos outros virão
Só sei que dos outros, só me sobra al(gu)ém
Rodrigo Aleixo
Outro espaço, outra dança, outra música, outro calor
Aqui o próximo é distante e o distante também
Só se é próximo quando se entende, quando se extende
O mesmo é só o que é seu, e o que já não se divide
E se divide é por dois, por três, e por tantos outros
Tanto que nem parece um só
O outro nunca se confina, só se confia
E confia só quando se quer bem
Se há um que vai, há outro que vem
Outro dia, outra hora, outro porém
E nem sei quantos outros virão
Só sei que dos outros, só me sobra al(gu)ém
Rodrigo Aleixo
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