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segunda-feira, 10 de março de 2014

Ficar de Pé

Pisava verde, passos doces; corria pra me encontrar.
O chão inclinava enquanto eu tentava descer; era como ter que virar o mundo de ponta-cabeça para poder ficar de pé.
Lembre-se, por você. Dizia sorrindo.
Por mim, então.
Meus pés doíam, mas eu não me importava.
Eu queria descer.
Esfreguei minha cara na terra, tirei os sapatos e fui escalando o chão, agora quase vertical.
Vou cair, me segura.
Não, não, não! Se ainda tem amor por mim, não leia o que eu escrevi.
Não.
Fui horrível. Fui víl. Te imploro.
Estou cercado de amor. Me segura.
Seguro. Não tenho que pedir explicações.
Te amo incondicionalmente. Me segura.
Seguro. Que vergonha que estou de você.
Me apoiei; afrouxou o cinto que me prendia à enorme bigorna de chumbo que eu carregava sem questionar.
Sem as toneladas que me puxavam, agora eu podia voar.

Rodrigo Aleixo


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

De Vento e Rocha

Fazer azar como quem faz sorte
É forte, a morte, se assim nos dói
Bem assim, de vento
Vazio ou cheio
É cantar teus devaneios, é sofrer de amor
No mais, sem tirar nem pôr
É esperar que se vá, o sol
Distante, apagando a luz
E não me alcança, a espuma do mar
Que repuxa da areia uns sonhos acabados

Fazer sorte como quem faz azar
É morta, a força, se assim não dói
Bem assim, de rocha
Cheia ou vazia
É cantar tuas alegrias, é amar seja quem for
No mais, é dar tudo de si
É esperar que ela venha, a lua
Redondo abajur que reluz
E me alcança, enfim, a maré alta
Que também leva pra areia uns sonhos novos

Rodrigo Aleixo